Recuperação financeira – Gestão do impossível!

Recuperação financeira – Gestão do impossível!

Este “filme” também poderia ser chamado a espera de um milagre!

Por que as pessoas deixam as empresas chegarem ao fundo do poço, ainda que para muitos não seja o fundo, para depois sair em desabalada carreira em busca de ajuda?

Cairia bem uma placa: “Procura-se um milagreiro”. Talvez com aquele jeito indiano, com alguns mantras, ou cabeludo e barbudo, meio desleixado, cheio de cruzes.

Ultimamente temos visto muitos bem alinhados, prometendo mundos por fundos!

Antigamente, o bom milagreiro, nunca vi de fato nenhum, prometia mundos “e” fundos. Que coisa, não? Algumas letrinhas e o sentido muda completamente!

Quando a gente pensa que já viu tudo na vida, encontra uma senhora, cuja função é orar o dia todo na tesouraria, chamando por proteção e iluminação. Um expediente todo, enquanto o pessoal faz o trabalho operacional.

Fé é importante, mas oração de um lado, tomada de empréstimo de outro para compra de carros para a diretoria, não pode dar certo. Não há anjo, nem santo protetor com paciência para a empreitada!

Gestão é um processo que demanda seriedade, coerência, conhecimento e agilidade!

Manter a última linha do caixa azul deve começar antes que esta se torne uma grande mancha vermelha. A gestão do impossível é o esforço para que esta mude de cor.

O primeiro passo é estancar a sangria. Fraca e anêmica, nenhuma organização se levanta. A empresa, assim como nossos corpos, precisa ser bem nutrida.

O sucesso, nem sempre fácil, provoca o desejo de acomodação. Quem não gostaria de matar um dia da semana ou uma tarde e ir ao cinema?

Preste atenção como somos produtivos quando estamos crescendo na carreira, e depois que chegamos ao topo parece que algo nos falta! É como se daquele ponto em diante não tivéssemos mais tantos desafios.

Com o tempo, veremos que os desafios são maiores ainda, mas sempre há o momento de acomodação.

Para o gestor, não há porto seguro. Calmaria é um perigo, estas costumam virar os barcos.

Esse fato faz com que muitos não se deem bem em cargos diretivos. Estas são posições sem rotina, com pouco ou quase nenhum trabalho operacional. O tempo é dedicado à transformação, que requer inventividade!

Inventividade carrega enormes sutilezas. Muitos enaltecem o inventor da roda. Em termos práticos, esse foi um tolo. Sábio foi o que encontrou uso também para as outras três.

Gestão demanda criação e aplicação. O desenho de um cachimbo, não é um cachimbo, apenas uma projeção. Sua materialização sim, esta gera efeito prático.

Não é o uso como telefone que torna o celular tão atraente, mas seu poder de conexão. Estamos mais do que “ligados”, estamos conectados! Você pode até não se importar com minhas mensagens, mas as receberá de inúmeras formas.

Os recursos para gestão são muitos e o exercício é tão complexo que a questão tem como foco a usabilidade.

A ideia do controle de caixa é simples: entrada de recursos, menos suas saídas. A questão é quanto, como e por que entra e quanto, como e por que sai?

O estudo da situação para agir na recuperação financeira não é simples. Há uma mania de ações de contundência, com alongamento do prazo das dívidas e redução de pessoal.

Isso costuma dar uma sobrevida sim, mas e depois?

Se as entradas não melhorarem em pouco tempo a situação se mostrará pior, pois a dívida será a mesma e a empresa terá uma estrutura reduzida. Pode-se contratar de novo?

Claro, sempre! Treinar os recém-chegados? Claro, sempre! Aguardar que a produtividade seja recuperada? Claro, sempre!

Tudo pode ser feito novamente? Claro, sempre!

Mas, quebrar, uma vez só!

A gestão do impossível é sustentada pela inventividade e pela usabilidade!

Esquisito?

Ora, se esquisito é algo raro, fora dos padrões, um problema esquisito precisa de uma contra-senha: solução esquisita!

Aquilo que é normal e usual certamente já foi aplicado e não provocou o efeito desejado, então é fundamental pensar diferente!

Ivan Postigo: Consultor de gestão, articulista, escritor, palestrante

 

Resumo

Por que as pessoas deixam as empresas chegarem ao fundo do poço, ainda que para muitos não seja o fundo, para depois sair em desabalada carreira em busca de ajuda?

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Ivan Postigo

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