Pesquisa escolar deve ir além do Google

Professores são treinados em Brasília para o uso da curiosidade a favor da aprendizagem e contra as fake news

Desde a popularização da internet e a facilidade que o Google possibilitou para a busca de informações, o termo “pesquisa” se tornou trivial. Nas escolas, a pesquisa passou a ser o simples ato de copiar e colar o conteúdo, sem indicações de fontes e muito menos o emprego de aspas. “Esse é um quadro que precisa ser mudado. A criança – que tem paixão inata pela descoberta – precisa ver a pesquisa como fator instigante de sua curiosidade. Por isso, não se deve dar a resposta pronta: é preciso alimentar a curiosidade, motivá-la a descobrir as saídas e orientá-la na investigação até conseguir o que se procura”, alerta Joseph Razouk Júnior, diretor editorial do Sistema Positivo de Ensino.

Um estudo realizado pelo Centro de Neurociência da Universidade da Califórnia, em 2014, mostra que a curiosidade nos ajuda a aprender e ainda torna o processo prazeroso. “A curiosidade recruta o sistema de recompensas e as interações entre esse sistema e o hipocampo colocam o cérebro em um estado em que você tem mais chances de aprender e reter informações, mesmo que essas informações não sejam de particular interesse ou importância” conta Charan Ranganath, autor da pesquisa.

Para aproveitar a curiosidade no momento do aprendizado, aumentar a qualidade das pesquisas escolares e combater as fake news, a solução tem sido a inserção de conceitos de pesquisa científica desde os anos iniciais do Ensino Fundamental. “Quando pensamos em pesquisa escolar, frequentemente lembramos dos trabalhos em que transcrevíamos um texto ou parte dele, obtido de uma referência, mas a pesquisa vai muito além disso: é por meio dela que investigamos causas, elaboramos e testamos hipóteses, formulamos e resolvemos problemas. Por este motivo, ela deve ser incentivada desde a infância”, sinaliza a mestre em Matemática e assessora pedagógica do Sistema Positivo de Ensino, Flavia Mescko Fernandes. Para ela, o grande desafio é desmistificar o conceito de pesquisa e ressignificar o termo, abolindo o hábito de copiar e colar e ensinando a forma correta de pesquisar.

Flavia esteve recentemente em Brasília, onde ministrou o workshop “Você sabia? Usando a curiosidade como um motivador da aprendizagem” para professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental. “No curso, nós usamos as etapas sugeridas para a pesquisa acadêmica e transpomos para a pesquisa escolar – dentre elas, estão as etapas de delimitação do tema, problema, hipóteses, fundamentação teórica, metodologia, coleta, análise e interpretação de dados”, expõe. A curiosidade é explorada logo na etapa inicial: do problema que motivará a pesquisa. “É ele que vai gerar as dúvidas, as inquietações para as respostas que consideramos serem verdadeiras frente ao conhecimento prévio que temos do assunto”. Ao passar por todo esse processo de elaboração de uma pesquisa da maneira mais adequada, o estudante consegue chegar ao Ensino Médio e ao Ensino Superior tendo uma base mais consolidada e preparada.

O workshop “Você sabia? Usando a curiosidade como um motivador da aprendizagem” faz parte do Programa de Cursos do Sistema Positivo de Ensino, um dos serviços da Assessoria Pedagógica para centenas de professores das escolas conveniadas, que acontece em 48 cidades distribuídas pelo país com 5.428 horas de cursos presenciais e mais de 3 mil horas de cursos EAD.

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