Os piores erros ao implantar uma franquia

Saber onde os empreendedores tropeçam e colocam tudo a perder é um bom começo para não falhar nesse negócio

O mundo encantado das franquias não é tão mágico assim. Somente é possível fugir das armadilhas que levam o negócio para o buraco se houver orientação, pesquisa, cuidado. E nem isso garante o sucesso do empreendimento.

            A franquia é um modelo de negócio consolidado que já vem pronto para ser colocado em prática e prevê ótimos lucros. No segundo trimestre deste ano o setor de franquias no Brasil faturou R$ 40 bilhões e cresceu 8,4%, comparado com o mesmo período de 2017, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Os dados são um convite ao investimento, mas desde que alguns pontos sejam levados à risca. O advogado especialista na área Gustavo Maggioni, do escritório E.Faigle e Maggioni, de Campinas, alerta que o segmento tem regras próprias e que os riscos da franquia raramente são citados aos investidores.

Para que a implantação desse modelo de negócio ocorra da forma mais correta possível é preciso atentar-se para os erros mais comuns cometidos por empreendedores que injetam patrimônio numa franquia:

Não ter todo o capital: montar a franquia já dependendo de um empréstimo bancário é um dos pontos que torna o processo inviável, devido ao comprometimento de um grande valor com pagamento de juros;

Não ter dinheiro para encerrar o negócio: também é um grande problema, afinal é importante prever questões como pagar funcionários, rescisão de contratos, a multa da franquia, etc;

Não ter afinidade com a área que escolheu: dificulta o trabalho. É preciso gostar e se identificar com a marca;

Não desconfiar do lucro estimado pela franquia: pode ser uma ilusão, já que é apenas uma expectativa e não uma promessa;

Não ter suporte da franquia: pode implicar na falta de segurança e de apoio de uma rede de profissionais com experiência no mercado;

 

            Outra orientação importante do advogado especialista é conversar com outros franqueados para saber como tudo ocorre na prática. As franquias têm a fama de serem modelos testados e que funcionam, mas o que dá certo em um local pode não vingar em outro endereço.

Além disso, Gustavo Magionni reforça um detalhe valioso: garantir que o franqueador tenha o registro da marca para exercer o negócio. “Muitas pessoas pesquisam sobre a franquia de interesse no site da ABF e, ao encontrá-la na página, acreditam que a empresa está com todos os protocolos firmados. Porém, vale lembrar que a ABF não é uma entidade regulatória e nem sempre a marca que está no site tem registro, por isso é preciso pesquisar a fundo”, explica Maggioni.

Para evitar riscos, o melhor é consultar um advogado especializado antes mesmo de montar o negócio, e assim dissolver o contrato antes de assinar, entender as cláusulas, as regras e as multas por exemplo. “No nosso escritório, de 500 clientes, apenas 5% vieram por precaução, o restante chegou até nós trazendo na bagagem problemas com a franquia”, conta.

Tanta precaução não é exagero. “Os negócios sólidos vão para frente. Agora, os que são baseados em números falsos, nós conseguimos detectar essas falhas, evitamos que o contrato seja fechado e o cliente, enganado”, finaliza.

 

Sobre E. Faigle e Maggioni

O escritório foi criado em 2013 com o foco nas especificidades legais do ecossistema de franquias, empresas e shopping centers. Amparado em uma experiência de mais de dez anos dos sócios na área empresarial e na área de varejo – tanto no campo do direito como no comercial – o E. Faigle e Maggioni tem como proposta possibilitar um desenvolvimento sustentável de negócios. A especialidade é o desenho de soluções jurídicas sob medida para atender aos segmentos, indo desde a formulação de acordos societários à solução de conflitos e cobrança de créditos.

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