Comércio de resíduos é mercado promissor no Brasil

Em função das obrigações no cumprimento da legislação ambiental, empresas estão transformando necessidade em oportunidade de negócios

A necessidade de empresas e indústrias investirem cada vez mais em gestão ambiental e sustentabilidade está criando um mercado promissor no Brasil. O setor de tratamento de resíduos industriais deve crescer cerca de 26% nos próximos cinco anos no País e alcançar R$ 16,3 bilhões em negócios, segundo avaliação da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre).

Em Minas Gerais, a Cultivar Soluções Ambientais, localizada no município de Machado, sul do Estado, é uma das empresas que está de olho nesse crescente comércio. A companhia realiza o tratamento de resíduos Classe II A (animal, vegetal e industrial) por meio da compostagem. Por mês, a Cultivar, que tem como alguns de seus clientes Unilever, Danone e Yoke, recolhe cerca de 15 mil toneladas de resíduos que, após o processo de compostagem, são convertidos em fertilizante orgânico e revendidos no mercado.

“A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) regulamenta e responsabiliza cada empresa pela produção e destinação final de seus próprios resíduos. Então, nós transformamos a necessidade em oportunidade, tanto de lucro quanto de minimizar as agressões ao meio ambiente”, explica o supervisor de vendas e serviços da Cultivar, Ramon Sepini Caixeta. De acordo com o supervisor, a companhia projeta para esse ano um aumento de 35% a 40% no recebimento de resíduos e na produção dos fertilizantes. “Esse índice amplia nossa margem de faturamento e nos deixa bastante otimistas com o futuro dos negócios”, comenta Sepini.

Tecnologia como aliada

Enquanto algumas empresas já lucram com a compra e venda de resíduos, outras ainda esbarram em falta de conhecimento e gestão. Atento a essa deficiência, o grupo mineiro Verde Ghaia, por meio da startup VG Resíduos, criou uma plataforma online para auxiliar as companhias no gerenciamento das sobras de produção e, ainda, conectá-las às empresas especializadas em destinação final de resíduos. “É uma espécie de ‘Uber’ dos resíduos”, conforme explica o CEO da VG, Guilherme Arruda. “Por meio desse sistema, é possível gerenciar, comprar e vender resíduos, além de encontrar empresas de transporte e tratamento. O software aproxima companhias geradoras e tratadoras”, conta.

Para o gerente geral da Ecosust Soluções Ambientais, Gustavo de Carvalho, a plataforma, além de trazer comodidade para a empresa, amplia a oportunidade de negócios. “Trabalhamos com destinação final de resíduos Classe I e II e, com o auxílio do software, conseguimos captar clientes em todo o país”, explica. Segundo o gerente, a demanda pelo descarte correto de resíduos está aumentando, já que a fiscalização está cada vez mais incisiva. “Para nós que trabalhamos com destinação final, é a chance de expandir os lucros e, nesse ponto, a plataforma tornou-se uma grande aliada”, salienta.

Segundo o CEO da VG, atualmente já são 3.500 empresas cadastradas na plataforma e a expectativa é de que esse número dobre até o final deste ano. “Essa projeção que estamos fazendo é reflexo da vigência de uma legislação mais forte, que responsabiliza as empresas pelo que elas produzem. Isso está mudando a cultura dos empresários, que buscam, cada vez mais, cumprirem com sua responsabilidade ambiental. Então, a tendência é de que realmente o comércio de resíduos se expanda e se fortaleça nos próximos anos”, projeta Guilherme Arruda.

Views All Time
Views All Time
332
Views Today
Views Today
1
Facebook Comments