Bons empregos geram crescimento econômico ou crescimento econômico gera bons empregos?

Foram divulgadas, ao longo do ano de 2015, uma série de notícias sombrias sobre a economia e o emprego no Brasil. Conforme estimativa do Boletim Focus (9/out) o PIB brasileiro deve sofrer redução de 2,97% durante o ano de 2015. Dados do IBGE mostram que o desemprego aumentou (passou de 4,3% em dezembro de 2014 para 7,6% em agosto de 2015) e a inflação também subiu (9,49%, acumulado de 12 meses em setembro), resultando na redução do consumo da população e consequentemente dos níveis de produção da indústria, comércio e serviços.

Todas estas notícias levam muitos a pensar que os bons empregos no Brasil reduziram neste ano; porém, antes de fazer esta análise é preciso primeiro refletir sobre o que é um bom emprego.

Para muitos um bom emprego é o emprego com boa remuneração salarial, neste caso, de fato, as dificuldades econômicas (como as que o Brasil tem enfrentado) reduzem o “bom emprego”.  No entanto, existe outra forma de analisar o que é um “bom emprego”, que inclui uma remuneração justa, mas não é só isso. O bom emprego é um espaço no qual a pessoa pode realizar as suas potencialidades, aprender, utilizar as suas competências e produzir benefícios para a sociedade, atuando em uma organização ou sendo empreendedor. Assim, o crescimento econômico da sociedade é consequência da existência de “bons empregos” e não a sua causa.

Como a organização pode ofertar “bons empregos”? Um bom caminho é adotar os dez princípios do Pacto Global, que é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de encorajar as empresas a adotarem políticas de responsabilidade social corporativa e de sustentabilidade.

Adotar os princípios do pacto global é um primeiro passo para potencializar a geração de “bons empregos”, no sentido amplo, nos quais os colaboradores podem alcançar as suas potencialidades. Recentemente aprovado, a Organizações das Nações Unidas (ONU) definiu o objetivo número 8, que trata de Empregos dignos e crescimento econômico, que significa promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos. 

Os bons empregos geram retornos positivos para a sociedade (melhores produtos ou serviços) e um crescimento sustentável para o país. A organização que gera “bons empregos” também se beneficia, pois a atuação dos seus colaboradores poderá resultar no crescimento da organização e no alcance da sua sustentabilidade econômica.

Portanto, os “bons empregos” não reduzem ou cessam durante dificuldades econômicas. Períodos como estes são uma oportunidade para a organização refletir sobre as suas práticas e iniciar o processo de transformação. A atuação dos profissionais que atuam com liberdade e podem utilizar suas competências, habilidades e atitudes éticas são fundamentais para superar a dificuldade enfrentada.

Assim, em tempos de instabilidade econômica é ainda mais urgente que sejam gerados “bons empregos”, pois são estes que garantirão o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável. Não existe a relação, imaginada por muitos, de que os bons empregos são decorrentes do crescimento econômico. Mas sim, o crescimento econômico é decorrente da existência de bons empregos, que auxiliam na construção de uma sociedade mais justa e humana.

*Artigo escrito por Josué Alexandre Sander, coordenador adjunto do curso de Administração do UniBrasil Centro Universitário

Facebook Comments