Bioeconomia: a mais nova tendência do mercado

Guilherme Arruda – CEO da VG Resíduos

Uma instalação industrial se destaca em meio a uma vasta plantação monocromática. A chaminé expelindo uma fumaça branca contribui para o contraste e dá a impressão de que se está observado uma tradicional indústria poluidora. No entanto, a verdade é que no local funciona uma usina de etanol e a fumaça branca é apenas o vapor d’água saindo das caldeiras. Esse novo cenário é o que descreve uma típica indústria de bioeconomia.

O conceito de bioeconomia surgiu a pouco tempo, por isso, ainda não há uma definição exata do que ele seja, mas, em geral, pode-se definir como sendo a prática de atividades econômicas que utiliza matéria orgânica como parte do processo. A definição do que é essa nova tendência é de extrema importância já que ela não pode ser confundida com economia sustentável, que possui um significado bem diferente.

Por exemplo, quando falamos de reutilização de água da chuva, produção de energia solar ou eólica e reciclagem de materiais, estamos falando apenas de sustentabilidade. No entanto, quando tratamos de biocombustíveis, compostagem, bioenergia e produção de biogás, aí se encontra o conceito de bioeconomia.

Para entender o potencial que a bieoconomia tem para o país é necessário antes de mais nada entender a situação atual dos biocombustíveis, já que eles estão intimamente ligados.

Crescimento dos biocombustíveis no Brasil

Os biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel tem crescido à taxas impressionantes pelo mundo. A recente elevação dos preços do petróleo voltou a fazer com que o álcool voltasse a ser mais vantajoso para os motoristas em boa parte dos países que podem contar com usinas de etanol. Recentemente, o governo brasileiro afirmou que está estudando a possibilidade de elevar de 5 para 15% a participação do biodiesel no óleo diesel tradicional.

Os biocombustíveis chamam a atenção pelo volume de negócios que movimentam e pela popularização que alcançaram, já que são amplamente abordados pela mídia. Contudo, a utilização de combustíveis renováveis é apenas um pequeno pedaço da atividade conhecida como bioeconomia, que nada mais é que a geração de valor econômico a partir de fontes produtivas ambientalmente sustentáveis.

Um mercado gigantesco à espera de exploradores

Embora o Brasil seja um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo, em matéria de bioeconomia ainda estamos engatinhando. A maior parte da matéria orgânica descartada é destinada a aterros e lixões sem nenhum tipo de tratamento especial. Caso estes materiais estivessem sendo direcionados à usinas de biogás, muita energia poderia estar sendo produzida.

Outro exemplo de oportunidade abertas pode ser visto no setor rural. Menos de 2% das propriedades rurais possuem um biodigestor instalado. Caso todo o esterco de gado, suínos, aves e etc. fosse direcionado a biodigestores, milhões de residências poderiam se valer de energia limpa, barata e rentável. Ainda há um mercado inteiro a ser explorado no Brasil, quando o assunto é bioeconomia.

Inovações no setor bioeconômico

Um desafio que tanto a bioeconomia quanto outras práticas de utilização de resíduos enfrenta é a dificuldade de encontrar as organizações que dispõem dos materiais para comércio. Uma vez que as empresas que comercializam resíduos estão dispersas o que torna moroso e muito burocrático o processo de compra e venda, gerando um desincentivo de crescimento do setor.

Pensando neste desafio, a startup mineira VG Resíduos criou uma plataforma premiada chamada Mercado de Resíduos.  A ferramenta funciona como um “leilão do lixo”, conectando empresas que querem descartar os materiais produzidos às firmas especializadas em tratamento e reaproveitamento do lixo. No caso do material orgânico, empresas de bioenergia ou compostagem podem fazer negócios com a organização geradora, de forma que a bioeconomia possa ser praticada em larga, média e pequena escalas.

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