25 de maio é o Dia Internacional da Tireoide

Daniele Zaninelli*

 

Os problemas da tireoide, incluindo disfunções hormonais, nódulos e câncer, atingem uma parcela cada vez maior da população. É importante conhecer suas principais manifestações, pois seus portadores costumam passar longos períodos até que o diagnóstico seja feito.  Enquanto o tratamento não é realizado de forma apropriada, pode ocorrer prejuízo da qualidade vida, da capacidade para o trabalho e até das relações sociais. Além disso, existe um aumento no risco de complicações de saúde a longo prazo.

 

A tireoide está localizada na região anterior do pescoço, logo abaixo do “Pomo de Adão”. É a glândula responsável pela produção dos hormônios tireoideanos, T3 e T4, e está sob o comando do TSH (hormônio estimulante da tireoide). Os hormônios tireoidianos atuam em todo o organismo, controlando, de forma geral, seu ritmo de funcionamento.

 

Apesar de mais comuns em mulheres, os problemas da glândula também podem se manifestar em homens. O hipotireoidismo é, sem dúvida, o mais comum entre eles. Atinge cerca de 10% da população, e sua frequência aumenta com a idade. A principal causa é a autoimune, ou seja, o sistema imunológico passa a tratar a tireoide como se ela fosse um invasor, produzindo anticorpos contra estruturas da glândula, o que leva à redução da produção hormonal. Os principais sintomas são: cansaço, queda de cabelos, pele seca, obstipação intestinal, alterações do humor e do sono, dificuldade de emagrecer, e redução da capacidade de concentração e memória. Também pode interferir no ciclo menstrual e na fertilidade.

 

Os sintomas costumam aparecer de forma lenta e progressiva. Pequenas mudanças se instalam gradativamente no organismo e muitas vezes passam desapercebidas. Além disso, os sintomas podem ser erroneamente atribuídos ao estresse, à menopausa e à gestação, por exemplo, atrasando o diagnóstico e o tratamento adequados.

 

A confirmação do diagnóstico pode ser feita através da dosagem sanguínea do TSH. O endocrinologista irá indicar o tratamento com a levotiroxina (hormônio tireoideano sintético) em doses variáveis de acordo com as condições clínicas de cada paciente. Os exames de controle costumam ser realizados após pelo menos quatro semanas do início do tratamento, pois esse é o tempo que o sistema de controle hormonal da tireoide leva para se adaptar à nova condição. A partir disso o ajuste da dose é feito periodicamente, de forma individualizada. Os sintomas costumam melhorar de forma gradativa, nos primeiros meses de tratamento. Com o acompanhamento adequado e o uso regular da medicação o paciente pode levar uma vida normal.

 

Hipotireoidismo subclínico:

Pode ser descrito como uma fase inicial no desenvolvimento da doença. Costuma ser revelado em exames de check-up, pois em geral não causa sintomas.  Acomete cerca de 9% da população brasileira. Apesar de ser uma forma leve do hipotireoidismo, pode ter sérias implicações na saúde. Um estudo recente mostrou um aumento de 3 vezes no risco de derrame cerebral em seus portadores. O endocrinologista usa critérios clínicos para indicar a necessidade de tratamento em cada caso.

 

Hipotireoidismo e gestação:

Pacientes que já estão em tratamento por hipotireoidismo e desejam engravidar devem avisar seus médicos, pois nessa fase o alvo do tratamento é diferente, e deve ser atingido antes mesmo da concepção. Após confirmação da gravidez costuma ser necessário o aumento da dose da medicação, que deve ser feito precocemente para evitar complicações obstétricas e fetais. Pacientes que recebem o diagnóstico de hipotireoidismo durante a gestação devem iniciar o tratamento o mais rápido possível, pelas mesmas razões.

 

Acima falamos sobre as situações em que a produção hormonal da tireoide está diminuída. Já no hipertireoidismo ocorre exatamente o oposto. Em geral, a causa também é autoimune, porém os anticorpos estimulam a produção hormonal, que se torna excessiva. O quadro costuma se desenvolver de forma mais rápida, e muitos pacientes procuram primeiro o cardiologista devido às palpitações que provoca. Outros sintomas são: tremores, pele quente, sudorese, queda de cabelos, insônia, alterações menstruais, agitação e irritabilidade. O organismo fica acelerado, dando sensação de energia de sobra, porém com cansaço excessivo. Costuma ocorrer emagrecimento apesar de um apetite aumentado. O tratamento pode ser feito com medicamentos que bloqueiam a produção hormonal, iodo radiativo ou cirurgia, dependendo de cada caso.

 

Os nódulos da tireoide são alterações estruturais que podem ou não se associar a disfunções hormonais, e estão se tornando cada vez mais frequentes. Podem ser detectados durante a palpação da glândula em cerca de 7% das mulheres e 1% dos homens, e quando se utiliza a ecografia na investigação, passam a ser diagnosticados em maior proporção. A incidência dos nódulos aumenta com a idade, podendo ser encontrados em até 90% das mulheres acima de 70 anos. Além da melhora da qualidade e da disponibilidade dos métodos diagnósticos, o aumento na incidência tem sido atribuído a fatores ambientais e até mesmo à obesidade. Cerca de 5 a 10% dos nódulos podem abrigar um câncer, e as características ecográficas podem dar pistas sobre a sua natureza. Quando indicada, uma punção do nódulo permite a confirmação do diagnóstico na maior parte dos casos. O risco de malignidade é maior quando existem familiares com câncer de tireoide, ou em pessoas que foram expostas à radiação externa ionizante. O que preocupa é que a exposição repetida a agentes ambientais agressores, mesmo que em doses baixas, e principalmente quando ocorre na infância, pode aumentar o risco tanto de alterações funcionais como de tumores da tireoide a longo prazo. E isso não está tão longe quanto parece, já que estamos constantemente expostos à radiação em diversas situações, desde aquela ambiental natural, ou num voo de avião, ou ainda durante a realização de um raio X dentário, onde a dose é baixa, até uma tomografia computadorizada ou um cateterismo cardíaco, onde as doses são consideráveis.

 

Apesar do aumento do número de casos de câncer de tireoide, houve uma queda na mortalidade relacionada à doença. Então, fica a mensagem: procure entender os sinais que seu organismo pode dar quando a tireoide não está funcionando de forma equilibrada. Com isso é possível buscar um diagnóstico preciso, possibilitando um tratamento capaz de devolver o ritmo normal à sua vida.

Dra. Daniele Zaninelli, endocrinologista do Hospital VITA Curitiba

 

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