Agência FAPESP – Foi aberta nesta quinta-feira (23/05), na sede da FAPESP, o Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). O encontro, que termina nesta sexta-feira (24/05) e está sendo realizado no Hotel Blue Tree Faria Lima, em São Paulo, reúne representantes de Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 25 Estados brasileiros e o Distrito Federal, integrantes do Conselho Nacional das FAPs (Confap), e das principais instituições de financiamento à pesquisa do país, como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), entre outras.
Participaram da abertura do evento Celso Lafer, presidente da FAPESP; José Arana Varela, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação; João Carlos de Souza Meirelles, assessor especial do Governo do Estado de São Paulo para Assuntos Estratégicos, representando o governador Geraldo Alckmin; e Sergio Luiz Gargioni, presidente do Confap.
Completaram a lista de participantes Glaucius Oliva, presidente do CNPq; Luiz Antonio Rodrigues Elias, secretário-executivo do MCTI, representando o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp; Helena Bonciani Nader, presidente de Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); e Desirée Moraes Zouain, coordenadora de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, representando o secretário, Luiz Carlos Quadrelli.
O objetivo do evento é discutir as ações que podem ser articuladas e coordenadas entre as FAPs e as instituições de financiamento à pesquisa estaduais e federais para contribuir para o avanço do desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no país.
“As FAPs podem contribuir para a criação de um federalismo cooperativo, para a união de esforços e para o desenvolvimento de formas pelas quais, por meio do conhecimento, nossa sociedade seja capaz de lidar com seus desafios e ampliar o controle sobre o próprio destino”, disse Celso Lafer.
“A FAPESP tem diversos acordos de cooperação com outras FAPs. Entendemos que esses convênios fazem parte desse tipo de esforço de ação conjunta”, disse Lafer.
O presidente da FAPESP lembrou que, exatamente no dia da abertura do Fórum da Confap, a Fundação paulista completava 51 anos, e avaliou que a ideia da criação da instituição e o que ela representa teve um efeito irradiador pelo país.
“O modelo da FAPESP, no nosso entendimento, tem sido bem-sucedido e trazido benefícios para a sociedade do Estado de São Paulo e para o país como um todo. A própria oportunidade de nos reunirmos neste evento é uma demonstração do efeito irradiador da FAPESP”, disse Lafer.
Contribuição para a ciência
De acordo com dados apresentados na abertura do evento pelo diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, em 2006 as FAPs contribuíram com 23% do total dos recursos destinados ao financiamento à pesquisa por agências de fomento no Brasil. Já em 2011 a participação delas saltou para 32%, superando o total dos dispêndios feitos isoladamente por agências federais de fomento à pesquisa, como a Capes e o CNPq.
Em 2012, por exemplo, o CNPq executou um orçamento de R$ 2,2 bilhões – equivalente, segundo Glaucius Oliva, ao total aportado pelo conjunto das FAPs e com maior participação da FAPESP, que foi responsável por cerca de 50% do volume de recursos.
“Isso mostra como tem sido importante a participação das FAPs para a comunidade científica e tecnológica do país pela qualidade e volume de recursos que vêm investindo”, destacou Oliva. Segundo ele, o CNPq tem parcerias há mais de dez anos com as FAPs em projetos como os da criação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), em um modelo de complementaridade de recursos.
“Essa parceria também representa uma fonte de recursos para o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação”, afirmou Oliva.
Na avaliação de Brito Cruz, por formarem um conjunto de organizações complementares, determinantes para o financiamento à pesquisa no Brasil, é preciso que as FAPs tenham uma pauta e ideias para enfrentar alguns dos desafios para o avanço da ciência no país.
Um do principais, segundo ele, é aumentar o impacto intelectual da ciência feita no país, ou seja, que os trabalhos realizados por pesquisadores brasileiros sejam mais vistos, citados e tenham maior repercussão mundial do que têm hoje.
“Além do crescimento quantitativo [em termos de participação no total dos recursos destinados ao financiamento à pesquisa por agências de fomento no país], as FAPs também tiveram um óbvio crescimento institucional, proporcionado pela estabilidade orçamentária, que possibilitou aumentar a capacidade de fazerem coisas mais ousadas, demoradas e que requerem mais persistência e continuidade do que faziam há dez anos, por exemplo”, avaliou Brito Cruz.
“Essa qualidade do conjunto das FAPs torna não só possível, mas eu ousaria dizer obrigatória, a preocupação com a questão de aumentar o impacto intelectual da ciência porque, se nosso trabalho é financiar a ciência, é fundamental que ela tenha impacto intelectual”, avaliou.
Poupar o pesquisador de tarefas extracientíficas – como o preenchimento de relatórios para prestação de contas – e desenvolver ainda mais a cooperação internacional são algumas iniciativas que poderiam contribuir para isso, segundo ele.
Outras ações são aumentar a visibilidade e o impacto das revistas científicas brasileiras e estimular a qualidade e o mérito da pesquisa por meio da valorização das citações de um artigo científico individualmente, em vez do fator de impacto da revista na qual o trabalho foi publicado.
Próximo fórum
Esta foi a quinta reunião do Confap em São Paulo. “A FAPESP participou desde o primeiro momento da criação e do fortalecimento do Confap, compreendendo sua importância para o fortalecimento da articulação dos sistemas estaduais de ciência e tecnologia com o sistema federal”, afirmou Varela.
“Hoje, passados quase 15 anos de sua primeira reunião, o Confap congrega FAPs de 25 Estados mais o DF, faltando apenas a criação da FAP de Roraima. É uma grande satisfação para a FAPESP sediar esta reunião e continuar participando dessa história, que esperamos ser muito vitoriosa”, afirmou.
A próxima reunião da entidade ocorrerá em julho, em Recife, paralelamente à 65ª Reunião da SBPC em Recife (PE). “As FAPs são muitos distintas, com culturas diferentes e muitas delas são recém-nascidas, mas compartilham de uma mesma visão”, disse o presidente do Confap, Sérgio Luiz Giargioni, durante a abertura do fórum.
“Esses encontros pessoais para troca de experiências são absolutamente necessários para nos auxiliar a avançar”, disse.
Oceanógrafo americano Jeffrey Richey coordenará pesquisas no Brasil
23/05/2013
Elton Alisson
Agência FAPESP – O professor Jeffrey Edward Richey, da Escola de Oceanografia da Universidade de Washington, dos Estados Unidos, virá mais vezes ao Brasil nos próximos cinco anos e permanecerá no país mais tempo do que estava habituado.
O professor, que estuda o papel dos rios amazônicos no ciclo de carbono desde o final da década de 1970, em colaboração com pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, teve um Projeto Temático aprovado no âmbito do programa São Paulo Excellence Chairs (SPEC), da FAPESP.
Programa-piloto da FAPESP que busca estabelecer colaborações entre instituições do Estado de São Paulo e pesquisadores de alto nível radicados no exterior, o SPEC já aprovou quatro projetos desde que foi instituído, no final de 2012.
A meta do programa é atrair para o país cientistas de renome, a fim de que coordenem projetos temáticos em sua área de atuação em universidades e laboratórios paulistas.
Os pesquisadores seguem vinculados a suas instituições de origem, mas devem permanecer no Brasil 12 semanas por ano ao longo dos cinco anos – ou mais – de duração do projeto, coordenando um grupo de bolsistas da FAPESP, entre pós-doutores, doutores e até alunos de iniciação científica.
Primeiro estrangeiro
Richey é o primeiro pesquisador estrangeiro selecionado para o programa. O pesquisador, que participou dos primeiros cruzeiros do navio Alpha Heliux pertencente à frota oceanográfica dos Estados Unidos na bacia do Amazonas, contou em entrevista à Agência FAPESP as razões que o motivaram a pesquisar no Brasil de forma mais intensiva, por meio do programa, e as suas principais descobertas sobre emissão e absorção de gás carbônico pelo rio Amazonas ao longo de mais de três décadas de estudos na região.
A mais recente delas foi publicada na edição desta semana da revista Nature Geoscience. O artigoDegradation of terrestrially derived macromolecules in the Amazon River (doi: 10.1038/NGEO1817), de Jeffrey Richey e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience em www.nature.com/ngeo/index.html.
“A vinda do professor Richey para participar desse projeto consolida nossa colaboração de décadas que, além de ter trazido diversos resultados, contribuiu para a formação de pesquisadores na área. Eu mesma fui formada dentro do grupo dele no Cena”, disse Maria Victoria Ramos Ballester, professora do Cena, e uma das pesquisadoras principais do projeto. Confira abaixo a entrevista concedida durante visita à FAPESP, em São Paulo.
Agência FAPESP–Como começou sua colaboração com pesquisadores do Brasil?
Jeffrey Edward Richey– Sempre tive muito interesse em fazer pesquisa no Brasil, especificamente na Amazônia. Fiz parte de um dos primeiros cruzeiros do navio Alpha Heliux, da frota oceanográfica dos Estados Unidos, entre 1976 e 1977, ao longo dos rios Amazonas, Solimões e Negro. Desde então, eu me interesso muito pelos grandes desafios de pesquisa que a região apresenta em temas como ciclo de carbono. Em 1980, comecei a trabalhar com Eneas Salati, então diretor do Instituto Nacional dePesquisasda Amazônia (Inpa), que logo depois virou diretor do Cena. Nessa época, ele me apresentou a pesquisadores do Cena, como Reynaldo Victoria, e, em 1982, começamos um projeto chamado “Carbon in the Amazon River Experiment” (Camrex, na sigla em inglês), que originou um grande programa de pesquisa na Amazônia. Ao longo desse programa, que durou dez anos, fizemos uma série de cruzeiros, com duração de até sete semanas, saindo de Manaus com destino ao Baixo Amazonas (na região do Pará), ao Alto Amazonas e a outros lugares da bacia do Amazonas. O programa foi muito bom para o avanço do conhecimento sobre a região, envolveu vários estudantes brasileiros e permitiu a formação de pesquisadores sobre os processos que controlam a distribuição de elementos bioativos nas margens do rio Amazonas no Brasil. Fomos o primeiro grupo do mundo a estudar esse tema. O primeiro financiamento para esse projeto foi feito pela National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos. Logo depois, também obtivemos apoio da Nasa, por meio do projeto “Experimento da Camada Limite na Amazônia” (Able, na sigla em inglês). Mais recentemente, participei do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA, na sigla em inglês), que foi um grande projeto de pesquisa [do governo brasileiro, liderado pelo Inpa], com muitos pesquisadores brasileiros em posição de liderança, além de outros projetos com apoio da FAPESP. Depois de tudo isso, ainda tenho interesse em continuar pesquisando na Amazônia.
Agência FAPESP–Por quê?
Richey– Porque só estamos no começo do trabalho de pesquisa sobre o papel do Baixo Amazonas no ciclo de carbono. Deu para ver que esse tipo de estudo é viável. Até então nunca tinha sido feito algo do gênero e da maneira que fizemos. Ainda temos muitas perguntas sobre como funciona o processo de absorção e liberação de gás carbônico pela Bacia Amazônica. Além do fluxo enorme de água que possui, o Amazonas tem rios tributários, como o Tapajós, o Xingu, o Tocantins e o Vargem Grande. Precisamos saber qual o papel desses rios no ciclo final de carbono do rio Amazonas. A região também passa por um processo de desenvolvimento. Há empresas se estabelecendo lá e há produção de soja em algumas áreas. Também precisamos avaliar como os fatores sociais e econômicos afetam o ciclo de carbono. Os avanços tecnológicos dos últimos anos abrem perspectivas de pesquisa totalmente diferentes das que tínhamos no começo dos estudos sobre o papel da bacia do Amazonas no ciclo de carbono. Agora, com o apoio desse projeto da FAPESP, poderemos adquirir instrumentos que nos ajudem a responder essas perguntas.
Agência FAPESP–Que tipos de equipamentos?
Richey– Espectrômetro de massa, por exemplo. Antigamente um equipamento como esse [usado em análises de componentes químicos presentes em um material] era delicado, enorme – ocupava quase uma sala inteira – e exigia que fizéssemos as análises de maneira muito mais lenta. Antes dava para fazer, no máximo, 12 medições em um mês da composição isotópica do carbono que sai da Bacia Amazônica – ou seja, o carbono 13 que tem CO2 – porque tínhamos de coletar as amostras e enviar para um laboratório ao retornar de um cruzeiro. Agora, dá para pegar os tubos com as amostras de água de um rio, jogá-las diretamente em um equipamento portátil do tamanho de uma caixa de isopor e obter os resultados da composição isotópica do carbono liberado pelo rio na hora. O desafio agora é processar toda essa quantidade de informação.
Agência FAPESP–Quais as principais descobertas feitas com essa série de colaborações?
Richey– Um dos aspectos da nossa pesquisa que mudou o entendimento sobre ciclo de carbono foi que mostramos que o próprio sistema fluvial da Amazônia já tem um papel grande no ciclo de carbono ao emitir CO2, porque tem muito CO2 na água. Observamos os rios da Amazônia “respirando”, absorvendo e emitindo gás carbônico para a atmosfera mais ou menos da mesma forma como faz a vegetação amazônica. Essa descoberta foi uma grande surpresa para a comunidade de pesquisa na área e deu origem a novas perguntas sobre o funcionamento desse processo de absorção e liberação de gás carbônico pelos ambientes aquáticos da Amazônia e por que tem tanto CO2 na água do Baixo Amazonas. Ao mesmo tempo, ficou óbvio que há outros sistemas fluviais no mundo onde ocorre esse mesmo processo. Com isso, mudamos a perspectiva mundial sobre o funcionamento desses sistemas fluviais.
Agência FAPESP–Quais os principais desafios para os estudos sobre o papel dos rios amazônicos no ciclo de carbono?
Richey– A realização de amostragem do carbono absorvido e emitido pela malha hidrográfica da Amazônia, sem dúvida, representa um grande desafio. Mas, por meio dessa série de projetos nas últimas décadas, deu para começar a entender a dinâmica desse processo e saber qual o volume e a composição química da água dos rios da Amazônia que segue para o mar. Agora estamos dando os primeiros passos para medir a quantidade de carbono que sai da Bacia Amazônica e segue para o oceano e, ao mesmo tempo, formando pessoal na região para nos auxiliar nos estudos. A logística é um pouco complicada e precisamos de pesquisadores e pessoas da própria região para nos ajudar. Já temos uma boa base em Macapá, Belém e Santarém, com pesquisadores formados por meio do projeto LBA e que agora se tornaram professores. Formamos a Rede Beija-Rio (um trocadilho com a palavra beija-flor), por meio da qual fazemos amostragens da Bacia do Amazonas de forma muito mais fácil e rápida. Mas a falta de pesquisadores e pessoal na região para trabalhar em estudos como esse ainda representa um problema sério. São necessários barcos, apoio logístico e pessoas capazes para lidar com tudo isso. Além do mais, a região é quente, a logística é péssima e os pesquisadores precisam deixar suas famílias por um tempo para fazer os estudos. Por isso, há poucos pesquisadores de São Paulo, por exemplo, que conhecem a Amazônia. É preciso ter resistência física. Os pesquisadores que conseguem vencer todos esses problemas adoram a experiência, que é muito fascinante, interessante e até mesmo divertida.
Agência FAPESP–Que tipos de problemas o senhor pretende abordar durante o projeto que tem apoio da FAPESP?
Richey– Pretendemos avaliar, por exemplo, qual o comportamento sazonal do fluxo hidrológico e da composição química da água dos rios da Bacia Amazônica. A água do rio Amazonas que passa pelo estação de observação em Óbidos, no Pará, por exemplo, é totalmente diferente da observada em outros lugares da bacia. É uma água clara, com coloração verde, que pode ter carbono orgânico melhor para os organismos que habitam nela. Também queremos avaliar qual a real contribuição da pluma de água que sai do rio em direção ao oceano, e quais as consequências das mudanças no fluxo de água que sai do rio no oceano. Esse conjunto de questões integra um conceito de pesquisa que chamamos de “trocas líquidas do ecossistema”. O segundo aspecto a analisar é o metabolismo da água da Bacia do Amazonas – ou seja, qual sua produção primária versus sua “respiração”. Sabemos que a respiração é muito maior no próprio rio do que em suas margens, mas também observamos muitos sinais de produção primária em outros locais. Por isso, precisamos entender melhor onde se produz o CO2, se dentro do rio – no dossel d’água – ou mais na várzea.
Agência FAPESP–Já existe alguma publicação sobre o assunto?
Richey– Esta semana publicamos um artigo naNature Geoscience, um dos primeiros resultados do Projeto Temático apoiado pela FAPESP, demonstrando, por exemplo, que a lignina e outras macromoléculas do material orgânico encontrado no rio Amazonas contribuem significativamente para emissão de CO2 pelo rio. Já havíamos publicado outro trabalho naNature, em 2002, demonstrando que a provável origem da maior parte do carbono liberado pelo rio Amazonas é a matéria orgânica (plantas e animais) transportada pela chuva das terras mais altas, não inundáveis, e de áreas de floresta que permanecem embaixo d’água parte do ano, para os rios e riachos. Em outro artigo, também publicado naNature, em 2005, indicamos que a idade desse material orgânico que está sendo respirado pelo rio é mais jovem do que se achava. Nós pretendemos durante esse projeto abordar quais são as fontes específicas de emissão de carbono do rio Amazonas, que tem consequências para o ciclo de carbono, além de medir a vazão e analisar qual a estrutura isotópica do carbono que sai da água. Isso pode nos indicar qual a fonte desse CO2. Queremos contar com a participação de muitos alunos e pessoas da região e de São Paulo para trabalhar nesse projeto.
Agência FAPESP–A sua ideia é aproveitar a rede de colaboração construída ao longo dessas últimas décadas para fortalecer os esforços de pesquisa no projeto?
Richey– Exatamente. Com base na minha experiência em pesquisa, posso dizer que é mais difícil fazer o “coração” do projeto. Depois, fazer as artérias é bem mais fácil.
Agência FAPESP–O projeto envolverá pesquisadores de quais instituições?
Richey– Envolverá, com certeza, pesquisadores do Cena e da USP, como Paulo Artaxo e Humberto Rocha. Também deveremos contar com a colaboração de pesquisadores do Inpe. Também pretendo obter apoio da NSF para trazer alguns estudantes dos Estados Unidos para realizar intercâmbio de pesquisa. O projeto deverá colaborar para a criação de um núcleo de pesquisadores na área de estudos sobre a contribuição dos sistemas fluviais no ciclo de carbono, que é um dos objetivos do programa SPEC, da FAPESP.
Agência FAPESP–Serão pesquisadores de quais áreas?
Richey– Serão pesquisadores da área de hidrologia, modelagem climática e química orgânica, entre outras. Acho que deveremos ter estudos novos na área de genômica dos organismos encontrados no rio Amazonas.
Agência FAPESP–De que forma o senhor coordenará o projeto?
Richey– Devo permanecer, mais ou menos, três meses por ano no Brasil e serei professor visitante da USP. Mas é bem provável que permaneça mais tempo do que isso. Estou muito empolgado com essa possibilidade de fazer pesquisa em São Paulo por um período de tempo maior do que o de outros projetos.
Barco Alpha Delphini faz sua primeira expedição científica
22/05/2013
Elton Alisson
Agência FAPESP – A comunidade científica do Estado de São Paulo ganhará nas próximas semanas uma segunda nova embarcação, em um período de um ano, para a realização depesquisas oceanográficas. Trata-se do barco Alpha Delphini, que deverá iniciar na primeira semana de junho sua primeira expedição científica.
Primeiro barco oceanográfico inteiramente construído no Brasil, o Alpha Delphini integra umprojeto, submetido à FAPESP pelo Instituto Oceanográfico (IO), da Universidade de São Paulo (USP), no âmbito do Programa Equipamentos Multiusuários (EMU). Foi construído com o objetivo de aumentar a capacidade de pesquisa em oceanografia no Estado.
O projeto também incluiu a aquisição do navio oceanográfico Alpha Crucis, inaugurado em maio de 2012, que já fez até agora sete cruzeiros, incluindo de testes e para fins de pesquisa.
“As duas embarcações se complementam perfeitamente em termos de possibilidades de pesquisas oceanográficas e foram concebidas para atuar dessa forma”, disse Michel Michaelovitch de Mahiques, diretor do IO-USP, à Agência FAPESP.
“O Alpha Delphini tem autonomia e capacidade de pesquisa intermediária entre as pequenas embarcações e os navios oceanográficos disponíveis para pesquisa no Estado de São Paulo e completa uma necessidade que tínhamos de contar com uma embarcação que cobrisse o que chamamos de plataforma continental – uma área que começa na linha da costa e atinge até 200 metros de profundidade”, explicou.
De acordo com Mahiques, o custo total do barco foi de R$ 5,5 milhões. O programa EMU da FAPESP destinou R$ 4 milhões para a construção da embarcação e o restante – motores e uma série de equipamentos científicos – foi financiado com recursos do próprio IO-USP.
O barco – batizado com o nome de uma estrela binária que orbita a constelação de Delphinus (golfinho, na tradução do latim), vista do hemisfério Norte – tem 26 metros de comprimento e capacidade de transportar dez pesquisadores, além da tripulação. Ele foi construído no estaleiro Inace, no Ceará.
A autonomia de navegação do Alpha Delphini é de 10 a 15 dias, dependendo do número de tripulantes, e ele poderá operar em toda a faixa de 200 milhas marítimas da fronteira litorânea.
“Estimamos que a demanda pela utilização do Alpha Delphini será maior do que a do Alpha Crucis, porque é uma embarcação mais adequada para pesquisas na plataforma continental e permite realizar cruzeiros mais curtos e com um custo menor do que os do navio oceanográfico”, comparou Mahiques.
Segundo o pesquisador, como faz parte do programa EMU, o barco poderá ser solicitado para pesquisas de qualquer universidade, inclusive de instituições privadas. Mas o regulamento estabelece prioridade para certos casos, como os projetos financiados pela FAPESP e para uso de pesquisadores do IO-USP. Em seguida, têm preferência os projetos das outras duas universidades estaduais paulistas – Unesp e Unicamp.
“O Alpha Delphini é uma embarcação oceanográfica com as características ideais para a maioria das instituições de pesquisa do Brasil, porque é um barco de porte médio, com um custo relativamente baixo, se comparado aos navios oceanográficos, e com condições de permitir estudos na plataforma continental para os quais há uma demanda muito grande”, avaliou Mahiques.
“O barco também tem a importância simbólica de ser a primeira embarcação oceanográfica construída no Brasil, o que demonstra que a indústria nacional tem condições de fazer embarcações de pesquisa”, destacou.
Primeira expedição
A primeira expedição científica do Alpha Delphini está marcada para o início de junho no litoral de Pernambuco, entre a ilha de Itamaracá e o arquipélago de Fernando de Noronha, além da zona costeira de Recife.
Prevista para durar 15 dias, a expedição faz parte de um Projeto Temático, realizado por pesquisadores do IO-USP em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e com a participação da Agence Nationale de la Recherche (ANR), da França, no âmbito de um acordo entre a FAPESP e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).
O objetivo da expedição é avaliar o papel das regiões oceânica e costeira de Pernambuco como absorvedoras ou liberadoras de carbono e identificar quais zonas atuam de uma forma ou de outra.
Região de bifurcação da corrente marinha que vem da África e que se divide – com uma parte da massa d’água seguindo em direção à região Norte e outra para a região Sul do Brasil –, a zona oceânica de Pernambuco sempre foi pouco compreendida, de acordo com Elisabete de Santis Braga, professora do IO-USP e coordenadora do projeto.
Por sua vez, a região costeira do Estado vem aumentando nos últimos anos as emissões de carbono tanto de fração orgânica como de inorgânica, em razão de fatores como o aumento desordenado da ocupação humana.
“A possibilidade de irmos com o barco até Fernando de Noronha possibilitará obter informações oceânicas daquela região, que atua como um pequeno sorvedor de carbono, com águas pobres em nutrientes”, disse Braga.
“À medida que nos aproximarmos da zona costeira de Recife também verificaremos se há uma retenção maior de carbono naquela área em função mesmo da fertilização da água pela atividade humana, que pode ser revertida em um processo positivo se conhecermos melhor sua dinâmica”, avaliou.
Para obter informações sobre transporte de carbono nas regiões oceânica e costeira de Pernambuco, os dez pesquisadores participantes da primeira expedição coletarão amostras de água e de organismos.
Por meio de equipamentos de sondagem, como o CTD (em inglês: conductivity, temperature,depht), será possível obter, por exemplo, dados sobre a condutividade (usada para o cálculo da salinidade), temperatura e profundidade do mar, além da corrente, a velocidade do fluxo e a direção das massas de água.
Já por meio de um equipamento chamado rosette ou carrossel, com garrafas de Niskin de 5 litros, os pesquisadores pretendem conseguir amostras de água de diferentes profundidades para análises químicas e biológicas de aspectos como teor de CO2, índice de pH e composição de nutrientes.
Durante a expedição também serão realizadas coletas de fitoplâncton, para medir a fertilidade da água e o potencial que apresenta para produzir organismos do primeiro nível da cadeia alimentar marinha.
“A maior parte das análises químicas e biológicas da expedição será feita a bordo do barco oceanográfico utilizando os diversos equipamentos de química analítica do laboratório e da ecossonda disponíveis na própria embarcação”, disse Braga.
“O que não for possível ser analisado durante a viagem será congelado na câmara fria que o barco também possui para armazenar amostras de água, sedimentos e organismos, e estudado depois da expedição”, contou.
Vinda a São Paulo
De acordo com Braga, a estreia do Alpha Delphini na expedição científica no litoral de Pernambuco se deveu a uma série de coincidências. Inicialmente o barco faria um cruzeiro de teste no litoral de Fortaleza, nas proximidades do estaleiro Inace, e desceria para São Paulo, onde seria oficialmente inaugurado, antes de ser ancorado no porto de Santos.
Os pesquisadores participantes do projeto no âmbito do acordo da FAPESP com a Facepe, no entanto, já haviam agendado a expedição e estavam com uma série de dificuldades para encontrar, no Nordeste, uma embarcação oceanográfica que pudesse ser alugada para a expedição. Nesse intervalo de tempo, o Alpha Delphini ficou pronto.
“Essa série de coincidências veio a calhar e permitirá usar o barco oceanográfico nessa expedição de exploração da zona equatorial, além de nos aproximarmos de pesquisadores de Pernambuco e trocarmos experiências”, avaliou Braga.
“Há muito tempo não fazemos uma expedição científica reunindo pesquisadores de universidades de diferentes regiões do país”, contou. Segundo a pesquisadora, a expedição também servirá para testar todos os equipamentos do Alpha Delphini. Se, eventualmente, for necessário a realização de algum reparo na embarcação, será possível retornar rapidamente ao estaleiro.
“Fizemos uma análise bem minuciosa do barco e simulamos todas as possibilidade de uso dele. Mas, se ainda for necessário algum pequeno ajuste, será bem mais fácil fazê-lo por não estarmos muito longe do estaleiro”, avaliou.
Atualmente, os pesquisadores fazem os últimos ajustes do barco no estaleiro e finalizam o treinamento da tripulação. Ao concluir a expedição, o Alpha Delphini seguirá para São Paulo, onde ficará ancorado no armazém número oito do porto de Santos.
Durante a viagem a São Paulo, uma nova equipe de pesquisadores, integrada por alunos do IO-USP, coletará dados sobre ciclagem de carbono. “Não podemos perder a oportunidade de coletar dados científicos durante o deslocamento da embarcação para São Paulo e dar a oportunidade aos nossos alunos de também participar das pesquisas”, afirmou Braga.
A ideia dos pesquisadores é de que, quando o barco não estiver em fase de pesquisas, ele permaneça aberto para visitação pública no porto de Santos.
Quais são os nossos verdadeiros amigos? Quem de verdade é nosso maior inimigo? Essas perguntas nos são feitas a cada momento em nossa vida! Onde nem sempre o maior inimigo mora do lado de fora de nossa casa ou longe demais de nossa própria família. Como tenho observado, vejo que em muitas casas o princípio do amor fraternal é corrompido por interesses escusos que modificam um comportamento de amor e proximidade. Sim! O dinheiro fala mais alto que o respeito e o reconhecimento pelo trabalho alheio, mesmo que nele, esteja o lado bom de um irmão que vive a intensidade boa do amor entre irmãos. Não nos cabe julgar, mas anteceder ao desencanto causado por pessoas que se fazem arrogantes e donas de uma razão que vai além do bem estar e da natureza boa de ajuda que por eles foi vivid a. Esquecem-se das dificuldades que os mantiveram juntos durante muito tempo, esquecem-se do andar de lutas que todos tiveram de enfrentar para serem o que são ou tão somente se tornaram. Meu mundo é dividido entre o amor que tenho ao meu pai e a aversão que passo a sentir pelas pessoas que vejo envelhecer e nada aprenderão. Quando chegamos a uma idade de grandes variações e deixamos de lado valores de reconhecimento e valorização é porque nada conseguimos sentir durante toda a vida. Tomar algo de um alguém sem avaliar o suor do trabalho desse alguém é desumano e implacável com a veracidade dos muitos anos já vividos. Falam de Deus, mas qual será o deus desses capitulantes de algo que não os pertencem? Desculpem os desavisados, porém não se esqueçam de verificar o quanto a sua maneira injusta possa afetar a vida de outras pessoas. Dói saber que as cobras e lagartos se alimentavam no mesmo prato que comemos! É de difícil digestão saber que nosso pai mu ito trabalhou para que serpentes descrentes da luz da justiça divina apenas ministrassem uma imensidão de trapaças e gestos nada reais com a verdade que se quer há em suas muitas aparências de fé. Deixo de lado o meu amor familiar e desacredito no respeito das tias e primos que convivem com a mentira de seus bolsos vazios e sem fundo para guardá-los. Desejo que as injustiças sejam corrigidas, mas para isso teremos de mudar a nossa justiça que é alimentada por ministrantes que não ministram e se deixam ser enganados por sovinas que impetram papéis falsos em desacordo com a verdade. Quem realmente será o enganado? Àquele que mente ou se sente enganado por amar?
Não quero ser passível de engano, não desejo ser injusto, mas o que tenho visto em minha casa é que os postulantes a nada continuarão buscando o nada! Há uma realidade que não se apagará nunca: quem vive o lado bom da história, viverá as coisas boas que Deus possa nos dar. Pena que em muitos dos casos essas pessoas sejam incapazes de ver a vida que levam. Felicidade não é uma casa ou carros de luxo, não é o dinheiro que possa haver no banco ou coisas materiais que se espremam diante de nós. Existe algo muito mais importante diante disso tudo! Quem sabe eles um dia aprendam a ver a luz real do amor. Estarei na luta pela verdade que sei existir e farei ser respeitada.
Nunca deixem de amar, pois na vida o sentido é mais simples que um punhado inoperante de papel moeda.
Escritor, poeta, palestrante e autor do livro: O amor sempre vence.