Escola e família no sistema educacional

Entre os muitos os fatores intervenientes no complicado processo de ensino e aprendizagem, o sucesso obtido na formação do aluno depende, evidentemente, do professor, de sua dedicação e qualificação, todavia não apenas disso. Como disse o grande educador e pesquisador Pedro Demo: “Não considero que o professor resolve tudo, porque toda proposta monótona não corresponde à complexidade da realidade, mas ele é peça-chave”. A própria escola, entendida como adequada metodologia e exemplo comunitário de boa gestão é elemento essencial no processo educativo.

No entanto, a educação do jovem depende também de outros aspectos igualmente importantes, dentre os quais se destacam as condições objetivas do próprio aluno, seu interesse e estado físico e psicológico; pois normalmente são muitos alunos em cada sala, impedindo que mesmo o professor mais dedicado possa olhar cada um com a atenção necessária para identificar com clareza suas necessidades particulares, eventuais problemas cuja solução poderia fazer diferença fundamental em sua educação. Por isso, a família é essencial no trabalho conjunto com a escola.

É em casa que as manifestações das dificuldades podem ser mais facilmente identificáveis, desde crises de ansiedade passageiras até síndromes mais graves, como transtornos de déficit de atenção ou ocorrências familiares significativas como lutos, separações e violência.

As características dos responsáveis costumam ser preponderantes no processo educativo, pois enquanto convive com o professor poucas horas por dia em períodos limitados de tempo, a criança, ou o jovem, vive e absorve conceitos e valores durante a maior parte da existência com seus genitores ou parentes próximos.

Pais que demonstram afeto e comunicam-se bem com seus filhos, correspondendo às necessidades de atenção, mas demandando amadurecimento nas tarefas diárias, ensinam persistência e autocontrole, são fundamentais no processo educativo.

No entanto, pais simplesmente autoritários, exercendo controle demasiado com baixa afetividade e pouca comunicação efetiva, podem até produzir filhos obedientes, porém tímidos e vulneráveis, muitas vezes pouco persistentes para obter bons resultados em termos de aprendizagem. Da mesma forma, pais excessivamente permissivos, que exercem pouco controle embora costumem ter ótima comunicação, exigindo pouca responsabilidade e participação do filho nos problemas domésticos, produzem imaturidade e irresponsabilidade, interferindo negativamente nas atividades escolares.

Alguns pais amam seus filhos e querem o melhor para eles, contudo, pretendendo estimula-los adotam uma cultura de sucesso e vitória, esquecendo-se de pontuar o difícil caminho para obtê-los, e muitos desses filhos crescerão com a sensação de que o sucesso lhes é devido, por decreto e sem esforço. À primeira frustração, correrão a buscar culpado externo, seja a instituição de ensino que frequentaram, e que não ensinou corretamente, ou seja, de forma fácil e sem atribulações, todo o necessário para evitar o malogro; sejam seus pais que não lhes contaram como é o mundo real.

Independente do temperamento dos familiares mais próximos, se a criança está em completa carência afetiva ou vivendo em condições precárias do ponto de vista nutricional ou sanitária, em ambiente muito repressivo ou mesmo em meio a graves doenças, também será difícil um bom resultado escolar.

Sem o auxílio da família a escola pouco poderá, mas sem uma boa escola atingir o conhecimento indispensável ao mundo do trabalho será tarefa complexa e quase impossível; o conjunto pode levar a um profissional cidadão participativo e produtivo.

 

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

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