Agosto azul no ambiente escolar

Segundo pesquisa do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, concluída em 2015, a expectativa média de vida do brasileiro é de 75,5 anos, correspondendo a 71,6 anos para homens e 79,1 para mulheres; e não significa que necessariamente todos tenhamos o direito, se não divino pelo menos estatístico, de viver até essa idade, médias tem suas regras próprias.
O que se ressalta nesses dados é a aparente, e há muito conhecida, “injustiça” de que mulheres tem longevidade oito anos superior à dos homens. Uma pesquisa realizada até a primeira metade do século vinte mostraria uma realidade diferente, afora situações de guerra e outras catástrofes, mulheres morriam em média mais cedo do que homens devido principalmente a sequelas de gravidez e parto. Atualmente, em sociedades modernas, avanços da medicina e de procedimentos básicos de higiene e prevenção reduziram significativamente estas ocorrências.
A pergunta do motivo pelo qual homens vivem menos é até desnecessária, as causas são conhecidas, uma delas é a maior exposição à violência, “rachas” de carro ou moto, brigas de gangs e atividades perigosas em geral; outra é a incidência de doenças que poderiam ser melhor tratadas se fossem diagnosticadas no início e não são.
O que causa doença é uma questão complexa e ampla, há fatores ambientais, genéticos e degenerativos sobre os quais temos pouco controle pessoal; temos maior possibilidade de atuar sobre as causas comportamentais como: alimentação inadequada, álcool em excesso, tabagismo, obesidade, drogadição, sedentarismo e estresse descontrolado.
O arquétipo masculino contém ainda uma herança pré-histórica, a necessidade de mascarar o medo para não ficar frágil perante inimigos e parceiros; o feminino foi desenvolvido sob o signo da proteção, formar uma cria dentro de si e resguarda-la dos perigos e da fome requer um tipo de coragem em que não há espaço para jactância. Por isso, mulheres procuram ajuda e assistência com maior frequência do que homens quando não se sentem bem, muitos homens parecem acreditar que abdicarão de sua masculinidade se o fizerem, e só o fazem quando a doença já evoluiu a um ponto em que o tratamento é bem mais complicado.
Desde 2012, o mês de agosto no estado do Paraná é denominado “Agosto Azul” em referência à campanha realizada neste mês entre entidades públicas e privadas para conscientização e adoção de medidas voltadas à saúde do homem, uma versão do bem-sucedido “Outubro Rosa”, dedicado à prevenção do câncer de mama. O objetivo é, principalmente, enfrentar esta resistência de muitos homens ao cuidado com a própria saúde, sabendo que a questão é também cultural. Foca-se na necessidade da realização de exames simples como os de diabetes, hipertensão, aids e hepatite, que podem ser feitos na rede pública de saúde e são essenciais para todos, mais ainda aqueles que têm mais de cinquenta anos de idade.
Em 2017, a campanha incentiva a paternidade responsável com o tema “Pai, seja presente”, procura motivar a adoção de hábitos saudáveis e dá destaque para os males do tabagismo, uma das maiores causas de mortes precoces em todo o mundo. A campanha é especialmente benéfica ao sistema educacional, no qual a presença familiar é diferencial de qualidade.
Embora venha se alterando positivamente nos últimos anos, graças às campanhas massivas de esclarecimento, não é simples tratar do quesito saúde com meninos, jovens ou mesmo adultos do sexo masculino, no ambiente escolar ou fora dele.
Ações que procuram incentivar a prevenção e promoção da saúde masculina esbarram em uma série de preconceitos, mitos e falsas fortalezas que impedem uma rápida mudança cultural.
A vida é preciosa, é única, e não pode ser desperdiçada por preconceitos ou machismos.

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

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